quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

da série: Tenho um amigo que disse que eu:

 
Sou muito exagerada nas coisas que faço, falo, vivo, observo... E, olhando com aquele ar de quem sabe do que está falando complementou: — ou é tudo ou é nada. Bem, não é bem assim, não. Respondi, com um sorrisinho que é quase imperceptível um leve movimento de lábios, é que dentro de mim tudo borbulha, exige, pulsa. Sou intensa. Quando rio, rio. Mas também quando choro, meu Deus, lembro uma carpideira. Ele riu, olhou bem fundo nos meus olhos, e, espantado com uma faceta que desconhecia concordou balançando a cabeça. Acho que ele nunca tinha me visto assim.
Já um outro amigo desses que não se espantam com nada foi logo dizendo: — que não é bom ser assim, não. Mas, coitado, ele nem deve tempo de explicar o porquê não seria bom. Um outro amigo desses que chegam sorrateiramente e ávido em participar foi logo falando: — Quem diz isso não sabe do que está falando, ou melhor, acredita que há um jeito bom para o sentir. E, entusiasmado com a própria fala, gesticulando muito continuou: — é preciso viver, sorrir, chorar, gritar, pular, correr. Hum! Amigo é amigo, não é? E a gente sabe que nessas horas a empolgação toma conta do sujeito.
Já um outro amigo, amigo maior, desses que sempre tem algo a nos dizer e sabedor que na poesia reside toda a verdade, delicadamente, declamou Fernando Pessoa:
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
Eu rindo chorei muito.

6 comentários:

Carla Wanessa disse...

Se te encontrasse diria apenas "Sei como é!!"...já o meu amigo, anda vindo com um papo de que eu tenho que aprender a me submeter, porque a gente sempre depende de alguem...Ora!! Faça-me o favor!! Eu tenho que aprender a ser submissa?? Não..eu ja to cheia desse papo desse meu amigo...eu sou tão livre, tão intensa, tão toda...me entrego se tiver que me entregar, me submeto se tiver vontade de me submeter, faço se tiver vontade de sorrir...não me venha com esse papo de "√ocê tem que"...se fosse meu amigo de longa data, desses que nem dizem nada e no pensamento apenas PENSAM...A Carla é a Carla...nunca diria que eu preciso aprender a me submeter, nem mesmo pensaria..poderia até pensar que eu vôo demais, que não tenho limite, que me entrego inteira ou que nnao me entrego nada, que sou dos extremos e gente assim nunca conseguira aprender a se submeter...se me conhecesse realmente, não tentaria me mudar!!! E aceitaria que eu sou intensa mesmo e é isso que me faz ser quem sou...livre, livre, livre!!!..por isso, minha amiga, só posso lhe dizer "Eu sei como é!!"

sueli aduan disse...

E, é por tudo isso que "falou", minha queridona, que nossas conversas são infindáveis,(mesmo via telefone kkk) maravilhosas, cheias de tudo que já sabe (rs) e somos quem somos e vivemos como vivemos, e.... vamuqvamu.
beijão

Marinês disse...

É Sú como é bom ler essa série. E entender que é bom rir de chorar e chorar de rir à luz dos "conselhos poéticos de um outro" e grande amigo nosso": Fernando Pessoa.

bjus e parabéns pelo texto

sueli aduan disse...

Obrigada,Marinês tb gosto muito(rs)

É verdade! Delícia escutar esses maravilhosos poetas.
bjus

Katia Mota disse...

Eu penso assim Su... Tudo ao mesmo tempo agora rs. É difícil? Sim é difícil, é gratificante também. Mas preciso aprender a arte do meio termo, do equilíbrio, acho que as vezes é necessário.

Nossa fazia tempo que não parava para ler...

bjão

sueli aduan disse...

Opa, que maravilha então ter parado :o). Obrigada.


Eu acredito na arte do "tudumisturadu" o equilíbiro junto com a desordem , a alegira c/ a tristeza,o claro/escuro...o silêncio e o agito...e vamuqvamu:O)
beijo