segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Observância
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
"Olhos de cão azul"
Gabriel José Garcia Márquez, a quem os amigos chamam de Gabo, nasceu às 9 horas da manhã do dia 6 de março de 1928 na aldeia de Aracataca na Colômbia, não muito distante de Barranquilla.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Aproveitar o Tempo
O trabalho à Virgílio, à Mílton...
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
"Diotima: do corpo do livro ao corpo do mundo"
FIM
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
"Diotima: do corpo do livro ao corpo do mundo"
terça-feira, 17 de novembro de 2009
"Diotima: do corpo do livro ao corpo do mundo"
Diotima atravessara a rua com passos largos, mãos trêmulas, olhos atentos e movendo-se de um lado a outro com uma respiração ofegante.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
da série: tenho uma amigo que disse que eu:
domingo, 8 de novembro de 2009
Imagem

quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Uma conversa puxa outra... Uma idéia....
terça-feira, 3 de novembro de 2009
A SIERGUÉI IESSIÊNIN
Você partiu, como se diz, para o outro mundo.
Vácuo. . .Você sobe, entremeado às estrelas.
Nem álcool, nem moedas.
Sóbrio. Vôo sem fundo.
Não, lessiênin, não posso fazer troça, -
Na boca uma lasca amarga não à mofa.
Olho - sangue nas mãos frouxas,
você sacode o invólucro dos ossos.
Sim, se você tivesse um patrono no posto (1)
Ganharia um conteúdo bem diverso:
todo dia uma quota de cem versos,
longos e lerdos,como Dorônin(2).
Remédio? Para mim, despautério:
mais cedo ainda você estaria nessa corda.
Melhor morrer de vodca que de tédio!
Não revelam as razões desse impulso
nem o nó, nem a navalha aberta.
Pare basta! Você perdeu o senso? -
Deixar que a cal morta lhe cubra o rosto?
Você, com todo esse talento para o impossível; hábil como poucos.
Por quê? Para quê?
Perplexidade.
- É o vinho!
- a crítica esbraveja.
Tese: refratário à sociedade.
Corolário: muito vinho e cerveja.
Sim, se você trocasse a boêmia pela classe;
A classe agiria em você, e lhe daria um norte.
E a classe por acaso mata a sede com xarope?
Ela sabe beber
..............................................................
...................
Agora para sempre tua boca está cerrada.
Difícil e inútil excogitar enigmas.
O povo, o inventa-línguas,
perdeu o canoro contramestre de noitadas.
E levam versos velhos ao velório,
Sucata de extintas exéquias.
Rimas gastas empalam os despojos, -
é assim que se honra um poeta?
-Não te ergueram ainda um monumento -
onde o som do bronze ou o grave granito? -
E já vão empilhando no jazigo
dedicatórias e ex-votos: excremento.
Teu nome escorrido no muco,
..........................
Por enquanto há escória de sobra.
0 tempo é escasso -
mãos à obra.
Primeiro é preciso transformar a vida,
para cantá-la -em seguida.
Os tempos estão duros para o artista:
Mas, dizei-me, anêmicos e anões,
os grandes, onde, em que ocasião,
escolheram uma estrada batida?
General da força humana-
Verbo - marche!
Que o tempo cuspa balas para trás,
e o vento no passado só desfaça
um maço de cabelos.
Para o júbilo o planeta está imaturo.
É preciso arrancar alegria ao futuro.
Nesta vida morrer não é difícil.
O difícil é a vida e seu ofício.
Vladimir Maiakovski- Tradução de Haroldo de Campos
1. Alusão à revista Na Postu (De Sentinela), órgão da RAPP (Associação Russa dos Escritores Proletários), cujos colaboradores se mostravam muito zelosos em atacar os escritores que lhes pareciam transgredir a moral proletária.
2. Referências ao poeta soviético I.I. Dorônin .
domingo, 1 de novembro de 2009
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
De todas as coisas...
De todas as coisas que eu tive as que mais me valeram,das que mais sinto falta, são as coisas que não se pode tocar.
São as coisas que não estão ao alcance de nossas mãos.
São as coisas que não fazem parte do mundo da matéria.
(O cheiro do Ralo-Lourenço Mutarelli)
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
"MUNDO E CORPO" sujeito e objeto
Mundo e corpo são simultaneamente sujeito e objeto. (M.Ponty)
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
da série : tenho um amigo que disse que eu:
O que será ele quis dizer com qualquer um? O problema, claro, não está no um. Um somos todos, a questão é o qualquer. Esse cara desconhece o peso que as palavras possuem, senão não seria tão depreciativo.
Será que ele nunca pensou que uma grande amizade pode nascer assim, desses encontros casuais, não é difícil isso acontecer não.
tenho um amigo que disse que o grande amor da sua vida surgiu assim inesperadamente. Numa noite, quando andava à toa no calçadão na espera que o sono chegasse viu um vulto que se aproximava em sua direção, a princípio ficou assustado, mas continuou andando normalmente, ao passar pela pessoa não resistiu puxou uma conversa. Esse meu amigo é tagarela mesmo, feito eu. Acho que vou começar a andar no calçadão, vai que numa noite dessas...
tenho um amigo que disse que a gente pode machucar, provocar dor em alguém só com palavras. Esse meu amigo é todo explicadinho, foi logo completando:
_ não aquela dor de quem já levou tapa, chinelada, cintada, e que deixam vergões vermelhos, ardentes. A dor da palavra não deixa marcas visíveis, fica tudo na mente latejando... latejando, dura quase pra sempre. Esse meu amigo sabe das coisas.
Tenho um outro amigo, grande amigo, esse sim, sabedor da força das palavras. Ele disse que adora me ver passar batom, que faço biquinho, e parece que estou a falar, falar vermelho, falar perfumado...
disse isso sorrindo, com um olhar cheio de poder, poder até das palavras não ditas, mas ainda bem que as escutei ...
terça-feira, 20 de outubro de 2009
...como a alma de um homem
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
É PRECISO FUGIR CONCENTRICAMENTE"
É preciso fugir no bom sentido: fugir do tédio, da fome, da guerra.
Não se deve fugir excentricamente, é preciso fugir concentricamente.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Você tem medo de quê?
O pior é que é verdade. É um verdadeiro luxo, Paris. Não por causa do Louvre, da Place Vendôme ou dos ChampsÉlysées. Nem pelas mercadorias todas, lindas, chiques, caras, que nem penso em trazer para casa. Meu luxo é andar nas ruas, a qualquer hora da noite ou do dia, sozinha ou acompanhada, a pé, de ônibus ou de metrô (nunca de táxi) e não sentir medo de nada. Melhor: de ninguém. Meu luxo é enfrentar sem medo o corpo-a-corpo com a cidade, com a multidão.
O artigo de luxo que eu traria de Paris para a vida no Brasil, se eu pudesse – artigo que não se globalizou, ao contrário, a cada dia fica mais raro e caro –, seria este. O luxo de viver sem medo. Sem medo de quê? De doenças? Da velhice? Da morte, da solidão? Não, esses medos fazem parte da condição humana. Pertencemos a esta espécie desnaturada, a única que sabe de antemão que o coroamento da vida consiste na decadência física, na perda progressiva dos companheiros de geração e, para arrematar tudo, na morte. Do medo desse previsível grand finale não se escapa.
O luxo de viver sem medo a que me refiro é bem outro. O de circular na cidade sem temer o semelhante, sem que o fantasma de um encontro violento esteja sempre presente. Não escrevi “viver numa sociedade sem violência”, já que a violência é parte integrante da vida social. Basta que a expectativa da violência não predomine sobre todas as outras. Que a preocupação com a “segurança” (que no Brasil de hoje se traduz nas mais variadas formas de isolamento) não seja o critério principal para definir a qualidade da vida urbana.
Não vale dizer que fora do socialismo esse problema não tem solução. Há mais conformismo do que parece em apostar todas as fichas da política na utopia. Enquanto a sociedade ideal não vem, estaremos condenados a viver tão mal como vivemos todos por aqui? Temos de nos conformar com a sociabilidade do medo?....
Sei lá como os franceses conseguiram preservar seu raro luxo urbano. Talvez o valor do espaço público, entre eles, não tenha sido superado pelo dos privilégios privados. Talvez a lei se proponha, de fato, a valer para todos. Pode ser que a Justiça funcione melhor. E que a sociedade não abra mão da aposta nos direitos. Pode ser que a violência necessária se exerça, prioritariamente, no campo da política, e não da criminalidade.
Se for assim, acabo de mudar de idéia. Viver sem medo não é, não pode ser um luxo. É básico; é o grau zero da vida em sociedade. Viver com medo é que é uma grande humilhação.
Maria Rita Kehl é doutora em psicanálise pelo departamento de Psicologia Clínica da PUC/SP e clinica, desde 1981, em consultório particular. É conferencista, ensaísta e poeta. Escreve artigos sobre cultura, comportamento, literatura, cinema, televisão e psicanálise para a imprensa. É autora de diversas obras, entre elas, Processos primários e Sobre ética e psicanálise.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
uma batida....só
domingo, 4 de outubro de 2009
da série: "tenho um amigo que disse que eu":
Tenho um outro amigo que disse que eu sou assim mesmo, parece que vivo no mundo da lua. Ele disse que é louco pra saber o que eu penso quando estou andando pelas avenidas.
Não sei, respondi. Depende muito, mas acredito que é o que todo mundo pensa enquanto caminha na avenida, com todos esses carros pra lá e pra cá, sempre um prédio em construção, a gente sendo obrigado a desviar o tempo todo, quase andar na rua mesmo, tamanha confusão de cimento, pedras e pás.
Mas ele insistiu: Como assim o que todo mundo pensa? Nos depósitos a fazer, nos saques, nas contas a pagar ou nos carros bonitos que passam?
Claro que não respondi:
O obvio, não é?
E se um carro nos atropela, ou ainda se lá do alto daquele prédio caí uma pedra na nossa cabeça. Pronto.
Tudo que sonhamos acaba numa fração de segundos, as discussões que tivemos no dia anterior, a festa que programamos ir ao fim de semana, o abraço que recusamos, só pra darmos uma de durão... Ele arregalou uns olhos que eu nunca tinha visto, e gaguejando disse:
Você não é normal. O que será que ele quis dizer com:
Você não é normal? Eu acho que ele não conhece o prazer que dá pensar , nessas coisas simples. Ele é uma máquina e, com esses olhos arregalados então, parece mesmo uma máquina. Vou desligar esse cara.
Mas, é claro, que todas as pessoas pensam sobre isso, não necessariamente na avenida, indo de um Banco a outro, mas em algum momento da vida todo mundo já pensou:
E se eu morro agora?
Tenho uma amiga, que disse que eu sou luz, que todos somos luz, espíritos em evolução, e que não devemos ficar pensando nessas bobagens, que faz muito mal pra saúde.
O que será que ela quis dizer com:
Coitado do Platão, e daqueles caras que pensaram....pensaram, claro que não em pedras caindo, ainda que se tratasse de caverna, mas na escuridão do não pensar, da sombra da casa, da luz que ofusca, na ignorância de se tentar ser igual.
Tenho um amigo, grande amigo, desses que falam com a delicadeza do muito pensar, ele disse que devemos, sim, andar nas avenidas como quem enxerga girassóis, como quem vive no mundo da lua, mesmo que um carro...uma pedra...tudo é mesmo numa fração de segundos...um pensar.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Cheguei ao limite...
De que valeram os 31 livros que publiquei? O que sobra de tudo o que a gente aprendeu, num momento-limite? Saí à procura de um tipo de sabedoria que me ajudasse a suportar a velhice e compreendê-la com serenidade. Só encontro consolo quando recito baixinho, para mim mesmo, os poemas que sei de cor.
A repetição é uma forma arcaica de conhecimento, mas eficaz, quando se vive num momento de domínio da tecnologia e do consumismo.
É repetindo esses poemas que aprendo coisas importantes sobre mim próprio. (Harold Bloom)
Harold Bloom é professor titular de Ciências Humanas, na Universidade de Yale, e já ocupou cátedra na Universidade de Harvard. Escreveu mais de 25 livros, entre os quais Hamlet: Poema Ilimitado, Gênio, Como e Por Que Ler, Shakespeare: A Invenção do Humano, O Cânone Ocidental, publicados pela Objetiva, além de O Livro de J e A Ansiedade da Influência
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
TOC TOC- 2008- TEATRO- em São Paulo
TEATRO- (2008)- (Sampa)
TOC TOC aborda de maneira sagaz e com humor ácido uma doença que atinge parte da população mundial e sua trama se passa na sala de espera do consultório do Doutor Stern, famoso pelo sua tratamento de pacientes com TOC e por seus pacientes nunca necessitarem de uma segunda sessão.
Lá, seis pacientes se encontram, com hora marcada para uma consulta: Branca (Márcia Cabrita) tem mania de limpeza, Maria (Ângela Barros), religiosa, acha sempre que sempre esqueceu tudo aberto, Lili (Flávia Garrafa), tem o hábito de repetição, Bob (Sérgio Guizé) é fanático por simetria, Vicente (Marat Descartes) não consegue parar de fazer contas e Fred (Riba Carlovich) sofre de uma síndrome que o faz dizer palavras obscenas constantemente. Carô Parra interpreta a assistente do médico.
Dr. Stern se atrasa excessivamente devido a alguns imprevistos, levando os pacientes a se unirem numa terapia em grupo, que rende boas tiradas. A história é permeada de humor inteligente e a platéia consegue soltar grandes gargalhadas sem apelação.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
..desafinada..rindo...
Fui (sou) apaixonadíssima por suas músicas, os amigos dessa época, me criticavam, pessoal da Sociologia Política, éramos todos envolvidíssimos (hum!) (uma época e tanto), mas eu sempre me interessei por tudo, lia tudo que cai na mão, ouvia tudo também.
Lembro-me quando fomos ao apto de um amigo, o Renato, a idéia era morarmos todos juntos. E ali, no meio da sala, aquela figura incrível do Renato, tocando flauta "Mulheres de Atenas", a idéia vingou, um tempo bom, (nem tanto)....., ouvíamos Chico, Gil, Milton, Caetano... , mas só eu, Belchior.
Ficavam putos comigo, nunca liguei. Cantava junto, alto, desafinado e rindo.
E, só agora à noite ouvi, rapidamente, num jornal da TV sobre o desaparecimento. Chorei. Belchior desaparecido, triste... muito triste.
Desaparecimento era coisa daquela época
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Bodisattva- uma busca constante
Bodisattva é um termo do budismo que designa seres de sabedoria elevada, que seguem uma prática espiritual que visa a remover obstáculos e beneficiar todos os demais seres. A expressão significa, em tradução literal do sânscrito, "ser (sattva) de sabedoria (bodhi)".
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Repetidas imagens
fotografar idéias, imagens repetidas
intersecção dos planos
lusco-fusco das indecisões
girassóis,
bois.
difere
o homem
difere
a vida
sóis,
girassóis,
bois.
Sussurro
trajetória efêmera
nau perdida
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
A POESIA E O MITO DE CURA
Muitas vezes ficamos perplexos diante do que nos acontece na vida. Estamos sempre à pro-cura disto e daquilo e até, essencialmente, de nós mesmos. O que nos move na pro-cura é a Cura. Cura, do latim, assinala o Cuidado.
A Cura impulsiona todo nosso agir. Agir se diz em grego poiein, de onde nos vem poiesis, a essência do agir, a poesia. Poesia só é linguagem quando se torna verbo-ação-poiesis. Toda poesia nos advém a partir de Cura. É essa a fala do mito “Cura”.
A fala do mito é a linguagem do sagrado, por isso nele agem e falam deuses. O ser-humano (Entre-ser / Da-sein), a poesia e a linguagem pro-vêm da Cura. É o que nos narra o mito Cura. Ele nos foi assinalado por Higino, escravo egípcio de César Augusto, que morreu no ano 10 da nossa era. Eis a sua saga:
C U R A
"Certa vez, atravessando um rio, Cuidado (Cura) viu um pedaço de terra argilosa: cogitando, tomou um pedaço e começou a fingir/ficcionar (fingere). Enquanto deliberava sobre o que criara, interveio Júpiter [Zeus]. Cuidado (Cura) pediu que lhe desse espírito, o que ele fez de bom grado. Quando, porém, Cuidado (Cura) quis dar-lhe nome a partir de si mesmo, Júpiter proibiu e dita que lhe deve ser dado o seu nome. Enquanto Cuidado (Cura) e Júpiter disputavam sobre o nome, surgiu também a Terra (Tellus), querendo dar o seu nome, uma vez que havia fornecido um pedaço de seu corpo. Os disputantes tomaram Saturno [Cronos/Tempo] como árbitro. Este tomou a seguinte decisão aparentemente eqüitativa:
"Tu, Júpiter, por teres dado o espírito, deves receber na morte o espírito, e tu, Terra, por teres dado o corpo, deves receber o corpo”. Como, porém, foi Cuidado (Cura) quem primeiro o fingiu/ficcionou (finxit), deverá pertencer-lhe enquanto ele viver. Como, no entanto, sobre o nome há controvérsia, chame-se Homem, pois foi feito de "humus" (Terra)".
Manuel Antônio de Castro Leciona nos Cursos de Pós-Graduação e orienta Dissertações de Mestrado e Teses de Doutorado no Programa de Ciência da Literatura, na Área de Poética, da Faculdade de Letras da UFRJ
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
“amam o que verdadeiramente não há”
in Sermões, v. III, padre Antonio Vieira.
...os homens não amam aquilo que cuidam que amam. Por quê? Ou porque o que amam não é o que cuidam, ou porque amam o que verdadeiramente não há.
Cuidas que amais diamantes de firmeza, e amais vidros de fragilidade; cuidais que amais perfeições angélicas, e amais imperfeições humanas.
Donde também se segue que amam o que verdadeiramente não há, porque amam as coisas, não como são, senão como as imaginam, e o que se imagina e não é, não o há no mundo.
domingo, 13 de setembro de 2009
O homem blindado
Certeza do Agora (2002)
Juliano Garcia Pessanha
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
da série: "tenho um amigo que disse que eu":
ele disse também que eu vejo problema em falar “relações sexuais”, que isso é típico das mulheres da minha idade, o que é que ele quis dizer com “mulheres da minha idade, será que ele pensa que há um padrão, simples assim, a idade determina tudo, seja você brasileira, angolana, nigeriana, canadense, paquistanesa.
Eu vou perder amizade com esse cara!
já a minha amiga disse que o falar “dar” e “comer” é próprio de um determinado grupo, feito nós metidas a cultas, intelectuais que discutem Foucault, Deleuze, Marx blá blá ,blá,....poesia, é toda moderna, contemporânea. Na juventude levantou bandeira de “caminhando e cantando a canção, somos todos... "
desconcordei na hora, nãnãninãna:
por quê, não se pode gostar do que dá prazer, alimenta, transforma?
diz que sua boca começa a tremer sem controle, outro dia numa roda de amigos quase conseguiu, mas derrepente ruborizou e, não pensou duas vezes cascou um “trebien” e saiu a francesa, ninguém entendeu nada, agora anda pensando em falar “transar”, coisas de jovens, disse sorrindo pra mim.
desconcordei na hora, nãnañinãna, será que ela pensa que há um padrão....
já um amigo, raro amigo, diz que quando você encontra uma pessoa que olha no fundo de seus olhos e você olha fundo nos olhos dela e, isso transforma-se num só olhar para o mundo.
não precisa de nome algum, tudo já está nomeado de antemão.
Concordei na hora.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
O que existe, os poetas fundam - Holderlin
A poesia está nos restos dos dias. Nos silêncios. Pouco percebida, a poesia verte sua secreta alquimia:
transfigurar os sinais de menos, as marcas da miséria, o rumor do que poderia ter sido. Resgatar a dança de esperanças perdidas, o frescor das bocas, as mãos em luta amante com a matéria do mundo. Água vital das origens e das utopias, e sede infinita, a poesia está em tudo.
No entanto, em paradoxo: a poesia é raríssima. Dificílima. Poucas, raras vezes a poesia emerge da natureza das palavras e transforma-se em poemas. Poucas, raras vezes os verbos e os nomes se fazem a carne absoluta da poesia, som e sentido em unidade mágica que recria o real, inventando-o.
Milhares e milhares de versos, para algumas palavras de poesia.
Muitas toneladas de matéria-prima-para alguns gramas de poema (Maiakovski).
Necessidade vital: por que tão escassa?
Por um lado, o mistério da emergência do poema, seu nascimento não redutível à consciência lógica nem à intencionalidade do sujeito que poeta.
Por outro lado, há poucos instantes possíveis para o florescimento da poesia na história cotidiana.
Ler, reler, não sei quantas vezes. Renascer com suas palavras vivas.
Expor-se à sua permanente revolução da linguagem.
Deixar-se seduzir por seus cantos.
Fazer travessias.












