segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Como tornar-se um poeta! – Primeira lição

Como tornar-se um poeta? Você, um aspirante a poeta, deve, agora, estar se perguntando o seguinte: Por onde devo começar? Você, na verdade, já começou, pois está, neste exato momento, lendo este fantástico artigo. Vou ser famoso? Não, não será. Infelizmente todos os poetas que um dia poderiam alcançar o estrelato morreram no século XX. Os melhores morreram no século XIX. Que merda! Então para que serei poeta? Quiçá, para de quando em vez, poder falar assim: eu sou poeta. Publicarei meu livro um dia? Claro que sim! Se você puder pagar todo custo de produção dum livro, você será publicado! Não desanime, até mesmo os melhores já fizeram isso. O Manuel Bandeira, por exemplo, pagou do próprio bolso para lançar um livro.Que bom, então serei tipo o Manuel Bandeira, um poeta foda! Não, não será. Lembre-se que todos os poetas fodas morreram no século XX. Eu quero ser poeta assim mesmo, foda-se! Certo! Então comecemos agora!
1. O nome Para tornar-se um poeta, você precisa dum bom nome. Recorrer a pseudônimos é uma boa alternativa principalmente quando você não tem um sobrenome, cuja primeira letra seja igual à dum poeta famoso. Vamos a exemplos: João Carlos Zurel: Péssimo nome, não há poetas tão famosos com sobrenomes que começam com a letra Z. Marcelo Nunes Gonzaga: Bem melhor, não? Seu livro ficará ao lado dum poeta árcade, Tomás Antônio Gonzaga. Bom, acho que você entendeu o espírito da coisa.
2. Escolha uma escola Todo poeta deve se filiar a uma escola. Não tente bancar o fodão, o moderninho, o alternativo, querendo criar algo diferente. Simplesmente isso é impossível, não dá. Os movimentos poéticos, na verdade, deveriam ser divididos apenas em somente três: Clássico, Romântico e Moderno. Veja o por quê. Clássicos: Homero, Camões, Gregório de Matos, Cláudio Manoel da Costa, Olavo Bilac etc. Interessante, não? Há uma explicação. Levando em consideração que Homero foi um dos grandes poetas clássicos, os outros citados, apesar de terem participado de escolas diferentes, apenas imitavam os clássicos. Camões: Classicismo - cópia dos clássicos em pleno século XVI; Gregório de Matos: Barroco-cópia dos clássicos em pleno século XVII; Claudio Manoel da Costa: Arcadismo – cópia dos clássicos em pleno século XVIII Olavo Bilac: Parnasianismo – cópia dos clássicos em pleno século XIX. Românticos: Byron, Alexandre Herculano, Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Junqueira Freire, Castro Alves, Alphonsus de Guimaraens, Florbela Espanca etc. O que o Alphonsus está fazendo aí, o que a Florbela está fazendo aí? Bom, eles são considerados Simbolistas. Esses podem ser chamados de românticos amadurecidos. É isso! Modernos: Fernando Pessoa, Manuel Bandeira, Carlos Drummond, Haroldo de Campos e todos os outros que vieram depois. Concretismo e demais movimentos faziam o mais do mesmo, são modernos e mais nada. Qual devo escolher? Indicamos para você, um jovem juvenil garoto iniciante no Parnaso, a escola Modernista, ela é a melhor para leigos, visto que: - Você pode usar versos livres, isto é, não precisa saber as regras de métrica. - Você pode escrever prosa e falar que ela é um poema. Veja um exemplo: Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte? — O que eu vejo é o beco. Porra! Acho que isso não é um poema! Errado! Na visão dos modernistas, o que está escrito em itálico é um poema. - Você pode usar e abusar dos versos brancos (esse recurso pode ser utilizado nas escolas clássicas e românticas).
- Você pode fazer poema com objetos idiotas. Por exemplo: escrever um monte de palavras e pregar num guarda-chuva! Belo, não? Você ainda será considerado um poeta de Vanguarda. Porém, lembre-se, você não está criando nada inédito. - E, inclusive, pode não saber escrever poemas. Boa parte dos modernos faziam justamente isso! Ok escolhi minha escola! Parabéns, agora escolham uma doença uma mutilação! 3. Doenças Todo poeta que se preze deve, até mesmo você, meu caro jovem juvenil aspirante a poeta, deve escolher uma doença. Indicamos para os iniciantes a Tuberculose. Essa enfermidade foi sucesso no século XIX e fez vítimas também durante o século XX. É algo retrô! Algo que nunca sai de moda. Tuberculose é uma boa pedida para os jovens poetas. Não gostou da Tuberculose? Ok, sem problemas! Seja um devasso! Escolha Sífilis, Gonorreia e demais DSTs. Quer algo mais hardcore? Ok vamos lá! Que tal seguir a onda do poeta luso Camões? Fure um de seus olhos! Não gostou? Ok sem problemas! Então, faça como Castro Alves, dê um tiro no próprio pé! Não gostou? Quebre um de seus pés, seja coxo, tal como Byron (recomendado àqueles que escolheram a escola Romântica).

Por Lauro Drummond
Literatura em foco

11 comentários:

Rodrigo Della Santina disse...

Que texto é esse? Camões um imitador? Dicas de como se tornar poeta escolhendo nome e escola literária? Não é assim na realidade! Isso, na realidade, não faz de ninguém poeta! Poeta nasce poeta, não se torna. O texto parece banalizar a poesia, relegá-la à idiotice, inda que tenha tido (será?) a intenção de criticar o mercado editorial de hoje. Não achei plausível ne interessante o texto. Achei-o uma infelicidade.

sueli aduan disse...

O texto foi publicado em uma revita eletrônica, Literatura em foco e o autor não conheço, mas seu nome está no final do trabalho.
A imagem foi escolha minha.
E, longe de mim relacionar poetas ilustres e que aprecio muitíssimo, com banalidades.
Enxerguei o texto como uma brincadeira e não "senti" o mesmo que vc, por isso publiquei no meu blog, que prima pela boa literatura e a valorização da mesma. O texto apresenta algumas palavras que, a meu ver, são desnecessárias, mas enfim...

Quanto sua fala: "nasce poeta, não se torna, desconcordo.

Guimarães Rosa em uma carta ao seu editor,João Condé, a respeito de Sagarana, relata:
_Então, passei horas de dias, fechado no quarto, cantando cantigas sertanejas,...
,ou seja, trabalhando (técnica e sensibilidade). Os exemplos são muitos: Clarice Lispector quando em "A hora da estrela" diz, "que da Macabéa só tinha mesmo o olhar..o resto a construção foi trabalho de "carpintaria"...e Baudelaire e Mallarmé e por aí vai...
forte abraço

Rodrigo Della Santina disse...

Sim, sim: também cogitei a hipótese da "brincadeira" por parte do autor. Mas, como também expressei no outro comentário, não captei dessa maneira. E, mesmo se assim tivesse sido, ainda achei o texto ruim e equivocado. Daí meu comentário anterior. Na minha opinião, ele não condiz com a realidade: é só um cara dizendo que todo mundo pode ser poeta, como fazem por aí. Não pode. Você disse discordar da minha frase quanto ao ser poeta. Veja: nem todo mundo pode ser poeta, como eu já disse; é preciso de talento para isso, da mesma maneira que é preciso trabalhar duro para se alcançar uma poesia sublime. Mas não dá para se sentar a uma mesa e, sem talento e mesmo referência alguma, dizer: "Serei poeta a partir de agora. farei grandes poemas". É preciso dom. Os autores citados por você (sim: Guimarães, Clarice, Mallarmé, Rilke e outros) acreditavam no labor, mas porque sabiam, tinham do dom de manejar a palavra. Como disse Bandeira, só para ser mais atual, que a poesia está nas palavras. Mas para tanto é necessário sensibilidade poética. Nem todo mundo nasceu para ser poeta; e, portanto, não possui essa específica sensibilidade; e se a força, saem os poemas tolos que vemos por aí. Eu, real e sinceramente, não gostei do texto. Mas olharei sempre suas postagens, como venho fazendo.
Abraço,

sueli aduan disse...

Continue sim visitando meu blog, tecendo seus comentários.
Fico muito feliz com isso.
Essa questão toda de "ser ou não ser poeta" ..."sensibilidade e técnica" o que é "contemporâneo ou não...é uma discussão longa rsrs. Como sabe, sou Professora e Oficineira de Literatura.
Cada vez mais, nesses 30 anos de trabalho, estudo e pesquisa, me espanto com o fazer poético e com "poetas".
Se tiver possiblidades, estarei dias 16,17 e 18 de Março no SESC/SOROCABA, com a oficina "Poesia e
Contemporaneidade", mas as vagas são limitadas.
Será um prazer ter vc com a gente.
forte abraço.

Katia Mota disse...

HUm... como com tudo concordo e discordo. Tudo é ponto de vista. Qto a postagem cada um tem uma visão enfim não vou entrar em méritos. Porém, qto ao se nascer poeta... é uma junção de muitas coisas. Uma pessoa pode ter o dom e nunca desenvolve-lo por nunca ter sentado diante de uma mesa e dito... agora vou ser poeta e escrever.

Existe sim o dom mas esse nada é se não for motivado por tecnica, por motes, por aprimoramento, por uma infinidade de coisas que somente, conhecimento, tecnica, vocabulario, escrita e afins pode tornar simples palavras em poesia.

Bom... essa é a "minha" opinião.

Bjs

sueli aduan disse...

É isso, minha amiga, ou como diria Lispector: "Que ninguém se engane: só se consegue a simplicidade através de muito trabalho."
valeu Ká.

Em tempo: Há muitas coisas nesse sertão que são como são e não muda não, meu senhor,alguém de sabedoria já disse... G.Rosa.
E aí não se trata de opinião(doxa)... O especialista constatou e nós "fazemos" admirar ,por exemplo, o soneto Alexandrino clássico e sua estrutura entre tantas outras belezuras que vamos descobrindo em nosso caminhar.
Se descobrir é a querência...

bjus

Rodrigo Della Santina disse...

Visitarei, sim, minha cara, acho interessante os artigos que você posta: suscitam debates. Quanto ao ser poeta, a questão é isso que debatemos. E você, tanto quanto a Kátia, têm de concordar comigo que sem talento nem trabalho duro adianta, embora eu já afirmasse em comentários anteriores que é preciso, também, trabalho para alcançar a Poesia. Senão qualquer um pode ser poeta. E esse é o erro: pensam que podem fazer poesia somente "trabalhando duro"; e não podem, por mais conhecimento e cultura que tenham. Novamente: os autores citados aqui sabiam disso e suavam a camisa para superar-se. Assim como a Clarice, citada por você, minha cara: ela tinha o dom e tentava superá-lo "trabalhando muito".
Abraços,

Rodrigo Della Santina disse...

Ah! Me esqueci! Moro no interior de São Paulo: não me será possível ir à sua oficina. Agradeço o convite, ainda assim. Desejo-lhe boa aula; que você consiga mostrar a verdadeira poesia a seus alunos, assim como dois mestres meus me ensinaram na faculdade.
Abraço,

Rodrigo Della Santina disse...

"(...)pessoa pode ter o dom e nunca desenvolve-lo por nunca ter sentado diante de uma mesa e dito... agora vou ser poeta e escrever. Existe sim o dom mas esse nada é se não for motivado por tecnica, por motes...".

Gostaria de fazer um adendo sobre este comentário, minha cara Kátia. Veja: se o cara nasceu com o dom de ser poeta, ele, cedo ou tarde, o botará pra fora, cedo ou tarde, ele sentará numa mesa e versejará. Será o destino dele. Mais: técnica sem dom é que não é nada. Conhecer poesia, saber sua técnica, métrica, rima e coisa e tal, não servirão para nada se ele não tiver "sensibilidade poética" (isto é, capacidade, dom de criar) para tanto. Fica aqui uma extensão da minha opinião.
Abraço,

sueli aduan disse...

Fico satisfeitíssima que goste das minhas postagens.Tenho procurado mesclar coisas minhas e de outros autores. Sinta-se a vontade para tecer seus comentários, e na medida do possível comento,outros(amigos)provavelmente comentaram e assim vamos. rsrs
É bom fomentar ideias.
forte abraço!

Rodrigo Della Santina disse...

Sim, sim: virei e comentarei: é, sim, bastante aprazível debater assuntos interessantes.
Abraço,