terça-feira, 16 de março de 2010

A PALAVRA E O SILÊNCIO


A maior ou menor capacidade de nomear o mundo define a maior ou menor perplexidade e terror em relação ao mesmo. No momento em que as coisas são nomeadas, rotuladas, deixam de ser assustadoras e passam a fazer parte do conhecido, do familiar. O processo de apreensão do mundo pela palavra, contudo, tende a revestir a realidade com uma opacidade embrutecedora que anestesia a nossa percepção e nos induz a ver como óbvio, banal, algo que em sua essência é mágico e misterioso. Dentro desse universo, onde a palavra deixou de habitar o mais íntimo da alma humana e perdeu, para usar uma expressão de Guimarães Rosa, a sua condição de “porta para o infinito”, a literatura constitui um elemento de transcendência, um meio de quebrar os condicionamentos limitadores do cotidiano e (re)instaurar o sentido “místico” das coisas.
Júlio C.Bittencourt Gomes:


2 comentários:

Katia Mota disse...

Me lembrou o inicio de Cem anos de solidão quando fala das pedras brancas...
Otimo texto.

sueli aduan disse...

Vero!Cem anos..é o que há.Adoro!Gosto do trabalho do J.G.