quarta-feira, 31 de março de 2010

“O saber do prazer, o prazer de saber”.


"você é seu corpo/ sua voz seu osso/ você é seu cheiro/ e o cheiro do outro/ o prazer do
beijo você é seu gozo/ o que vai morrer/ quando o corpo morra/ mas é também aquela
alegria (verso,melodia)/ que, intangível, adeja/ acima do que a morte beija"
Ferreira Gullar

Etimologicamente, erótico provém de erotikós (relativo ao amor) e deriva de Eros, o deus do amor dos gregos — Cupido entre os romanos. Mais tarde, a psicanálise transformou-o em símbolo da vida, do desejo, cuja energia é a libido, princípio da ação. Seu oposto é Tanatos, símbolo da morte, princípio da destruição.
Erotismo representa, assim, o resultado da conjunção entre erot (o) + ismo e significa, nos dicionários, paixão amorosa, amor lúbrico.
Mas os sentidos do termo erótico certamente não se esgotam no silêncio prolixo dos dicionários. Possui um conjunto de significados que se completam, às vezes se opõem, ou, dependendo do ponto de vista adotado, chegam a ser mutuamente exclusivos.
Freud, por exemplo, afirma que as sensações sexuais não se limitam às sensações genitais. A vida sexual é composta, segundo o autor, das sensações genitais e de processos psíquicos, tais como, esperança, temores, desejos e atrações, encantamentos e ternura, ansiedade e agressividade, etc.
A sexologia, com Reich, propôs uma revolução sexual calcada, dentre outras coisas, no princípio da auto-regulação do homem ao invés da submissão à moral social sempre repressiva nas sociedades autoritárias. Ia mais longe ainda, uma vez que colocava a orgasmoterapia como método indicado para a cura do ser humano reprimido, pressionado, alienado e sexualmente agressivo, além de defender a necessidade de este mesmo ser se abandonar ao “ritmo das pulsões biológicas”.
Ao contrário de Freud, que, até certo, ponto, via na repressão exercida pela moral social o resultado de uma necessidade para o controle efetivo dos instintos sexuais e a supressão da violência e da agressividade do ser humano, Reich, seu discípulo e crítico, defendia a tese de que “quem vive satisfeito não sente impulso para violentar” Por isso, também não necessita de uma moral para controlar tal impulso”.
Para Gilles Deleuze, em Lógica dos sentidos, “Eros é sonoro, e o instinto de morte, silêncio.” Roland Barthes a propósito do lugar do erótico no corpo, na cultura e na palavra, afirma, em “O prazer do texto” que nem a cultura nem a sua destruição são eróticas; a fenda entre ambas é que se torna erótica. Para ele, “o lugar mais erótico de um corpo não é o ponto em que o vestuário se entreabre (...); “a intermitência que é erótica: a da pele que cintila entre duas peças (..), entre duas margens (...); é essa a própria cintilação que seduz, ou ainda: a encenação de um aparecimento-desaparecimento. Sobre as condições em que uma palavra torna-se erótica diz: a palavra pode ser erótica sob duas condições opostas, igualmente excessivas: se for repetida a todo o custo, ou pelo contrário se for inesperada, suculenta pela sua novidade.
Erotismo e Literatura - Jesus A. Durigan- ED.AT. 1985
pesquisa/sueliaduan

2 comentários:

Rodrigo Della Santina disse...

Também nunca achei lógica a ideia de Freud exposta neste texto. Explicar tudo com sexo? Não me parece lógico. Nem me parece a esperança, por exemplo, relacionada à excitação sexual. Talvez excitação, apenas.
Entretanto, é interessante, como anuncia o título, o tema: erotismo. Na literatura, há várias obras (conheço mais os poemas) que são muito interessantes. E, apesar do preconceito, é obra que vale a pena conhecer.
Abraço,

sueli aduan disse...

abraços ,Rodrigo.