sábado, 19 de dezembro de 2009

Escrever, uma necessidade?



Verissimo espiona os dilemas do autor em novo livro
by Ronaldo Pelli em 18 de dezembro- Blog de O Livreiro

O que leva uma pessoa a escrever? Para o escritor Luis Fernando Verissimo, sempre foi uma questão de necessidade. Mas não uma necessidade banal, que escutamos dos poetas menores de “colocar para fora aquilo que se sente”. Não. Verissimo começou a escrever, já depois dos 30 anos, por dinheiro.
Até que, depois de décadas de editores a lhe cobrar textos, veio Os espiões, seu último livro. Após ter eleito sempre a folha em branco como sua musa, Verissimo resolveu escrever porque queria escrever. Sem encomenda, com o seu próprio tempo. Simples. E o assunto “por que alguém se senta em frente a esta mesma folha em branco e começa a preenchê-la?” permeou o seu novo trabalho.
Claro que a obra é uma homenagem/paródia aos livros de espionagem de John Le Carré. Mas essa é a primeira leitura. Na segunda olhada, para quem já acompanha o caminhar do autor gaúcho desde O jardim do diabo, já dá para perceber a reunião de várias de suas melhores qualidades: humor inteligente, referências, caricaturas de personagens, etc.
E a questão do por que escrever. É tão clara a sua necessidade de abordar o assunto que ele deixa transparecer a questão em alguns trechos. Como esse: “Todos nós merecíamos pertencer à irmandade dos que escrevem, só por querer”. Dá a entender que o narrador, um escritor frustrado que acaba como editor, não acredita na tese de escrever à toa, sem uma necessidade, sem um editor que o cobre ou uma conta a pagar.
Ou este: “O Amante Secreto (um personagem do livro) também sucumbira ao bendito ímpeto de escrever, o que fora a sua ruína. A estranha compulsão fizera mais uma vítima. O Professor Fortuna (outro personagem do livro) diz que em vez de endeusar escritores deveríamos louvar os milhões que resistem e não escrevem, e cuja grande contribuição à literatura universal são as folhas que deixam em branco”.
O escrever, este “bendito ímpeto”, é a “ruína” do Amante Secreto. Já o Professor, um desses personagens deliciosos que só o Verissimo é capaz de criar, que costuma ser do contra e que adora Nietzsche sem nunca ter lido nada do filósofo, sugere, à sua maneira niilista, homenagear a folha em branco. Como se dissesse que não é necessário escrever, não é necessário ler, não é necessário fazer nada. Exageros à parte, e de uma maneira torta, novamente estamos falando da musa do Verissimo: a folha em branco.
Os espiões mostra, ao fim, que às vezes a tentação de escrever é maior que a capacidade criativa dos escritores.

Título/Imagem desta postagem-sueliaduan

4 comentários:

cristinasiqueira disse...

Folha em branco...Tentação!a tal camisola do dia!assim me ocorreu.

À você que me lê com o coração,

Suspiro pelo ano que se encerra e nos permite tempo de pausa para reflexão.
Durante um tempo longo fui sentindo,sentindo... as vibrações que circulavam ,claras e obscuras,
rápidas demais,fortes e frágeis,distintas e misteriosas,espertas e inocentes,confiantes e assustadoras,enfim
carreguei por todos os lugares um texto ,um amarrado de palavras que a cada noite se desvanecia,depois se encorpava,até que finalmente em uma tarde
se fez nascer ..."ANTES de TUDO".Senti alívio e o contemplei prosa a se dizer poema com olhos amorosos de mãe quando vê seu filhinho pela primeira vez.
Agora este texto é seu,meu presente de Natal,leia sem pressa,o examine lentamente,deixe-se ser tocada por êle.
Envolva-se com a sinceridade transparente com que o escrevi, com a delicadeza,com o tom suave e meditativo.
Compreenda o amor e a dor do texto,o luto e o nascimento ,a coragem a clamar por bravura,a solenidade,o consolo,a humanidade em nós semelhantes.
"Antes de Tudo"...postei no www.cristinasiqueira.blogspot.com

Feliz Natal

Cris

sueli aduan disse...

Amei o presente. Belo texto! Cris a poesia mora em seu coração ou melhor vc é toda poesia, querida.

..."fortes e frágeis,distintas e misteriosas,espertas e inocentes,confiantes e assustadoras,enfim
carreguei..".

FELIZ NATAL
FORTÍSSIMO ABRAÇO

Katia Mota disse...

muito bom... obrigada pela inspiração....

sueli aduan disse...

Vamuqvamu, Katia.