segunda-feira, 19 de abril de 2010

da série: Tenho um amigo que disse que eu:


Não deveria ficar espantada com as mentiras que ouço, e que ele realmente não entende o porque dessa minha perplexidade. E sorrindo completou: ─ são as chamadas “mentiras brancas”. São delicadas e não prejudicam ninguém, além de extremamente necessárias para que o sujeito, o dito mentiroso, tenha alguns momentos de descontração, sinta-se poderoso e impressione os amigos, mas principalmente os inimigos. Na hora eu não consegui falar nada. Ele tinha lá sua razão. Por favor, não me entendam mal, refiro-me ao meu espanto com essas, e muitas outras coisas ditas delicadas, necessárias e que não prejudicam ninguém. Eu realmente já deveria ter me acostumado. Será? Quem garante que não prejudica  ninguém. A mim prejudica sim, e muito. Eu lá tenho tempo a perder.
Já um outro amigo disse que não se trata de perder tempo, mas de algo ainda mais profundo. Como se eu não soubesse discorreu horas e horas sobre a questão. Percebi que eu não sabia mesmo. Ele, um grande mestre, acabou me ensinando. Com um olhar generoso e um coração largo, próprio dos que dizem a verdade, me disse: ─ veja bem, minha cara, a palavra “mentir vem do grego pseudomai, enganar com mentiras, e, do hebraico Kahas “negar”. Podemos entender, então, que aquele que mente, está negando sua essência verdadeira, ou seja, ser o que realmente se é”.
Confesso que não fiquei perplexa com essa fala, mas infinitamente triste em saber que há muita gente assim, e, que até convivemos com algumas delas. Isso não passou despercebido pelo meu amigo que delicadamente me abraçou. Um abraço verdadeiro. Essa sim uma delicadeza necessária.
Já um outro amigo, desconfiado por natureza, mas um filósofo humano demasiado humano, diz que não se trata disso ou daquilo, mas que é uma questão de saúde mesmo. E que quem conta uma mentira raramente nota o fardo que assume; pois para sustentar uma mentira ele tem que inventar outras vinte.
E que a principal mentira é aquela que contamos a nós mesmos.

6 comentários:

Katia Mota disse...

Concordo que a mentira é um fardo pesada, porém, um mentiroso de verdade p/ sustentar uma mentira ele próprio tem que acreditar nela. Um mentiroso que naõ acredita nas próprias mentiras não é um mentiroso eficiente.

Marinês disse...

Sábio! Parabéns.

sueli aduan disse...

Pois é, mas ser eficiente nesse "quesito" não tem muito, ou melhor, não tem nenhum valor.
Aí é preferível mesmo a total ineficiência, concorda?

Já a imaginação: outros quinhentos :o)

sueli aduan disse...

Obrigada, Marinês.

bjão/saudade :o)

Carlinha disse...

rsrsrs....eu mesmo tenho um amigo que vive de mentira, nem mesmo sei se o nome q diz ter é realmente o que tem...no fundo, fico com dó...pobre rapaz...deve ter uma vida infeliz, não é?! Afinal, só vive de mentira, quem não tem mais nada pra viver!!!!!...e são tantos os que vivem assim...

sueli aduan disse...

..."deve ter uma vida infeliz, não é?! Afinal, só vive de mentira, quem não tem mais nada pra viver!!!!!...e são tantos os que vivem assim..."

Sem dúvida, Carlinha.

bjão