sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Cheguei ao limite...

Cheguei ao limite de minhas capacidades intelectuais. Percebo que poderei perdê-las a qualquer momento. Além disso, perdi muita gente querida, amigos e parentes. Eu, que tive uma atividade de reflexão, estudo e ensino, rodeado de pessoas que amava, me vejo cada vez mais solitário. Quando vivemos uma crise assim, a sabedoria vai embora e perdemos o rumo de nossas reflexões.
De que valeram os 31 livros que publiquei? O que sobra de tudo o que a gente aprendeu, num momento-limite? Saí à procura de um tipo de sabedoria que me ajudasse a suportar a velhice e compreendê-la com serenidade. Só encontro consolo quando recito baixinho, para mim mesmo, os poemas que sei de cor.
A repetição é uma forma arcaica de conhecimento, mas eficaz, quando se vive num momento de domínio da tecnologia e do consumismo.
É repetindo esses poemas que aprendo coisas importantes sobre mim próprio. (Harold Bloom)

Harold Bloom é professor titular de Ciências Humanas, na Universidade de Yale, e já ocupou cátedra na Universidade de Harvard. Escreveu mais de 25 livros, entre os quais Hamlet: Poema Ilimitado, Gênio, Como e Por Que Ler, Shakespeare: A Invenção do Humano, O Cânone Ocidental, publicados pela Objetiva, além de O Livro de J e A Ansiedade da Influência

8 comentários:

Lígia Guedes disse...

"É repetindo esses poemas que aprendo coisas importantes sobre mim próprio. (Harold Bloom)

Beijo!

sueli aduan disse...

Lindo!!!, e verdadeiro.
bjs

Adriana Karnal disse...

poxa, q desabafo...isso é incomum...mas ele é um poeta q recita baixinho..Sueli, gostei muito do post

Luiz Clédio Monteiro disse...

Isso prova que tudo que somos, tudo que fazemos, tudo que pensamos, é como uma relva. Que ao amanhecer é viçosa, ao meio dia, plena, mas ao entardecer já não tem mais aquela razão, beleza, alegria. Somente proclamando um ser eterno e permanente, podemos com ele ser constante. Quem será então esse ser eterno e poderoso? Sigamos a imitá-lo

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sueli aduan disse...

Ah! eu tb gosto muito dele,é um poeta e tanto.
bjs Adriana,
obrigada.

sueli aduan disse...

Obrigada pela visita Luiz.
felicidades.

danapaulinelli disse...

Qdo Bloom fala da "repetição como forma arcaica de conhecimento" penso que ele se refere aos poemas da antiguidade, como a Ilíada por exemplo, narativas rítmicas que não eram, ao menos inicialmente, formas escritas de conhecimento, mas sim formas que eram memorizadas à medida que se cantava seus versos.
A cultura grega se encontrou em crise qdo esta tradição oralmente memorizada foi substituída pelo sistema de aprendizagem platônico; ou, em outras palavras, qdo da consciência imaginativa como forma de apreender e conhecer o mundo, o homem grego passou p/a autoconsciência intelectual, c/o projeto da educação e da cidade ideal da República platônica.
É óbvio que o projeto platônico prevaleceu, somos prova disso.
Mas as palavras de Bloom nos revelam o que perdemos ao abandonar esta consciência imaginativa, rítmica, poética e adotamos esta outra forma pedagógica de conhecer e explicar o mundo.
Este processo não tem retorno, mas precisamos mesmo abandonar este outro modo de conhecer?
Creio que memorizar um poema, cantá-lo até que penatre a alma e raciocinar, refletir criticamente sobre o mundo ao nosso redor, não precisam ser atividades excludentes, podem ser atividades complementares.
Assim não abrimos mão do conhecimento científico, mas também não perdemos a poesia no saber!
Enfim, belo post, Sueli!
Muito belo mesmo.
Abraço.

sueli aduan disse...

obrigada por essas belas palavras,danapaulinelli, concordo e, muito com vc, como percebi que gosta de filosofia ( eu sou apaixonadíssima) se não leu leia na coletânea "Desejo" (Companhia das Letras)- o texto de Flavio Di Giorgi, bom do Bloom nem precisamos falar
bjs