quinta-feira, 12 de novembro de 2009

da série: tenho uma amigo que disse que eu:

Acredito que as pessoas pensam como eu penso e exatamente por isso estou sempre dando com os burros nagua. Na hora não me veio nada na cabeça em resposta a esse equívoco dele. Não em relação aos burros não, imagine. Sei que não é nada fácil, lembro-me de meu avô chegando todo molhado e reclamando:
-malditos burros!
É que agora, aqui, na quietude de tudo me veio à constatação de que ele é quem vive dando murro em ponta de faca e nem falo isso pelo fato dele ser açougueiro não.
É que sente um prazer, velado, em cortar a alegria da gente, vai ver de tanto sentir cheiro de sangue, ver bicho morto foi ficando assim. Coitado.
E se tem uma coisa que aprendi com meu velho avô é que o mal se corta pela raiz.
Ah! Se na hora a resposta estivesse, fresquinha, dentro de mim teria dito em alto e bom som:
_é claro que cada pensar é um pensar, meu amigo, cada cabeça uma sentença,  mas convenhamos em se tratando do viver estamos todos querendo o mesmo. FELICIDADE!, mas é sempre assim, desgraça vem à cavalo, e rapidamente fiquei muda.
Já um outro amigo, destes que estão sempre querendo pôr lenha na fogueira, me veio com essa:
- eu se fosse você, parava com a mania de acreditar nas boas intenções das pessoas, que de boas intenções o inferno está cheio. Esse eu consegui responder na hora:
_ ainda bem que você é você e eu sou eu, almas distintíssimas, meu caro.
Não acredito, ele ainda se deu o direito de ficar ofendido. O mundo está de cabeça pra baixo mesmo. Os maldosos se ofendem com uma facilidade.
Tenho um outro amigo. Bom, não é um amigo daqueles que a gente pode abraçar, dizer que ficou com  uma baita saudade, daqueles que nem precisamos falar nada. Só a presença já basta.
Não, não é desse tipo, mas ele está vivo naquelas páginas amareladas, no livro sobre o móvel ao lado da minha cama.
Em muitas noites me deito com ele, sinto sua presença, devagarzinho cochilo, ouço sua voz suave, sua fala penetrando lentamente em mim como num ritual orgíaco.
Esse meu amigo, belo amigo, “diz que tudo que existe são encontros e a capacidade da gente afetar e ser afetado por esse encontro. Se esses encontros aumentarem nossa potência de ação experimentamos a alegria; o contrário se esses encontros diminuírem nossa potência de ação experimentamos tristeza”
E eu lá quero ser triste. Antes só do que mal acompanhado.

6 comentários:

Katia Mota disse...

E eu lá quero ser triste... rs... coincidencia.. escrevi quase que sobre isso hoje. Antes de ler seu texto.

É engraçado como o fato de tentar ser feliz, mesmo que esse tentar seja um pouco diferente da forma convencional de ser feliz a qualquer custo, doa a quem doer, causa estranheza.
Ser feliz no simples fato de ser feliz por aceitar o que o outro te traz de bom.

bjss....

sueli aduan disse...

Ô Kátia, que lindo seu comentário e bem verdadeiro mesmo.

bjs

Veroca disse...

Sú, o texto tá lá querida. Saiu desta vez numa " golfada" hehehe, mas não queria perder o ritmo. Beijos, fim de semana vou fazer minhas visitinhas e eler os blogs que gosto e nem tido tempo de ler. beijos

sueli aduan disse...

Que ótimo Verôca!!!Está gostando??? Tomara, mas dê sugestões...e se achar que precisamos mudar qlq coisa tb.
bjus

Marinês disse...

Su...(sem acento...ok)...parece-me que qdo acentuo..estou gritando...rsss)

essa série não pode acabar nunca...é divertissima...um misto de irônia /humor...sei lá, uma sensação boa em ler!!!

Parabéns

sueli aduan disse...

Fico tão feliz em ler seu comentário,é bom demais. E me dá + pick pra continuar .
bjus