terça-feira, 1 de junho de 2010

Aquietem-se! Uma leitura cantada

O mistério das coisas, onde está ele? Onde está ele que não aparece. Pelo menos a mostrar-nos que é mistério? Que sabe o rio disso e que sabe a árvore? E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?
Aquietem-se!
Sempre que olho para as coisas e penso no que os homens pensam dela, entristeço-me. Tudo tão cinza, apenas o amanhã a nos condenar, exigir que tudo volte feito ciranda ou vá embora para sempre.
Para sempre? Nada é para sempre.
Quem fala de hemorragia sem nunca ter sangrado é um impostor. O amanhã virá antes do que você pensa,
Quando chegar o momento esse meu sofrimento vou cobrar com juros. Juro todo esse amor reprimido esse grito contido.
Há poetas, artistas, idéias e palavras.
O que há do lado de dentro e não derrama não deságua não se espalha, nenhuma valia tem.
O que importa? O que importa é ver, ver sem estar a pensar idéias, palavras,
Basta poeta! Tua palavra salvará o mundo?
Não, mas ultrapassa o limite, adormece as crianças e acorda os homens.
É preciso.

2 comentários:

Katia Mota disse...

Lindo
Não, mas ultrapassa o limite, adormece as crianças e acorda os homens.
É preciso.

É preciso... estou motivada por Drummond rs... bjs

sueli aduan disse...

Andei revisitando Milton, Chico, Pessoa :o), e como percebeu, escrevi a partir daí. O que em Literatura chamamos de Metalinguagem.

Trecho de um poema do Drumond que o Milton Nascimento musicou:
"Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças"
BJUS