quinta-feira, 20 de maio de 2010

“Meu sangue iluminou-se"


Ariano Suassuna:
Um perfil bibliográfico/Adriana Victor, Juliana Lins
Editora Jorge Zahar, 2007

... "Os anos de juventude, compartilhados entre a Arte e os amigos, não conseguiram apagar um tormento que parecia perseguir a vida de ariano: a morte do pai, uma marca de sofrimento jamais disfarçada ou aliviada. “A vida assim me aparecia: estranha e perigosa; uma estrada diante da qual meu sangue se crispara de uma vez para sempre, tornando-me tenso e cerrado entre os enigmas e as cilada do Mundo”, definiria Ariano.
Mas uma personagem mudou o rumo dessa prosa: “Meu sangue iluminou-se e a crispação desapareceu”. Ela era uma moça loura, de olhos claros, bonita demais. Chama-se Zélia. A primeira vez que notou aquele rapaz esguio, ele não reparou que havia chamado atenção. “Veja que desaforo. Mas é que ele era muito menina”.
Zélia tinha 13 anos quando viu Ariano, com 17, pela primeira vez. O episódio aconteceu dentro da sala de exibição, pouco antes do início da sessão de um filme português sobre o poeta Luís de Camões. A moça tinha ido até lá acompanhada das irmãs e reparou quando um rapaz foi passar de uma fileira para outra mais à frente e, em vez de dar a volta, passou por cima das cadeiras. Ela achou isso o máximo, “Imagine o juízo dos dois na época ─ tanto o juízo de quem pulou como o de quem achou bonito”, disse Ariano certa vez.
Alguém imaginaria que um encontro casual dentro de um cinema, uma atenção provocada pela atitude inusitada de um rapaz que pulou cadeiras da sala, gerasse tanto amor, por tanto tempo? “Ela é a grande figura da minha vida”, declararia Ariano muitas e muitas vezes. Mas o momento no Art Palácio serviu só para que Zélia jamais esquecesse o rapaz. Nada aconteceria imediatamente. Três anos depois, ele ia andando pela rua Nova, também no centro do Recife, quando aí já não pôde deixa de notar ‘aquela figura radiosa”. A moça, agora com 16 anos, não passaria desapercebida..
Os dois estavam em frente à igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares, fato em que levaria Ariano a dizer, tempos depois:
“Tinha que ser mesmo com ajuda de Nossa Senhora”...
       "A mulher e o Reino Armorial"
(trecho do capítulo 2)

título no blog sueliaduan

2 comentários:

Geraldo de Barros disse...

gostei, adorei a dica ;)

beijo,
G.

sueli aduan disse...

Opa!quiótimo:o)

beijo